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05/01/2015

CDL prevê prejuízo com feriados

Diário do Comércio

Tatiana Lagôa

O comércio de Belo Horizonte poderá deixar de faturar cerca de R$ 1,06 bilhão em decorrência dos feriados ao longo de 2015. O prejuízo reflete não somente as vendas não realizadas enquanto o estabelecimento está fechado. Entra na conta também a queda no movimento em caso de extensão da folga até o fim de semana, período em que a cidade fica mais vazia.

A estimativa foi divulgada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Segundo a entidade, a cada dia em que o comércio fica fechado, deixa de entrar no caixa das empresas uma média de R$ 76,01 milhões.

Porém, existe ainda um efeito multiplicador sobre esse número. Nos casos em que o feriado cai em uma quinta-feira, por exemplo, as vendas da sexta-feira são afetadas uma vez que muitas pessoas emendam a folga até o fim de semana. Dessa forma, há uma redução no faturamento em mais de um dia. o mesmo caso da folga na terça-feira.

O presidente da CDL-BH, Bruno Falci, explica que, além da ausência dos consumidores durante os feriados em que aproveitam para viajar, a renda ainda fica comprometida. Ou seja, depois de gastarem parte do salário nas viagens, muitas pessoas precisam controlar os gastos para não fecharem o mês no vermelho. Em Belo Horizonte, esse quadro é tão negativo pelo fato de o município não ter uma forte vocação para o turismo. Caso contrário, as datas poderiam ser melhor aproveitadas pelos comerciantes.

"No fim das contas, quem ganha com o feriado? Para o comércio e indústria não é bom porque reduz venda e produção. E para o trabalhador que ganha comissão não é bom também porque o salário fica menor e como resultado, o poder de compra. Ou seja, não é bom para a economia", afirma o dirigente.

Copa do Mundo - Falci não soube estimar de quanto foi o prejuízo do comércio em 2014 em decorrência dos feriados. Mas ele garante que foi superior aos R$ 1,06 bilhão estimados para 2015. Como foi um ano de Copa do Mundo, com várias interrupções no funcionamento das lojas durante os jogos, o faturamento do setor acabou sendo mais afetado do que a média. "Se o comércio fica dois dias fechado no mês, se juntarmos com o horário menor de sábado e o fechamento do domingo, o faturamento fica 10% menor", estima.

Diante desse quadro, um dos temores é que o setor tenha que cortar postos de trabalho para reduzir os custos. Atualmente, o comércio já não tem contratado trabalhadores em decorrência da situação econômica do país. A inflação em alta, o baixo crescimento econômico e a inadimplência em elevação, dentre outros fatores, são algumas questões que afetam o setor. Além disso, 2014 ainda foi o exercício de eleições e Copa do Mundo, dois eventos que reduziram as vendas.

Dessa forma, o setor irá crescer neste ano menos do que o esperado inicialmente. Em janeiro, as apostas eram de um aumento das vendas da ordem de 3,5%. Agora, pelo que tudo indica, o segmento deverá quantificar uma alta de 2,5%.

Para 2015, as expectativas são um pouco piores. Falci acredita que o crescimento deverá ser menor do que o registrado em 2014. "O próximo ano é uma incógnita porque dependemos muito de uma definição das próximas ações do governo. Mas já sabemos que será um período difícil por ser de ajustes", alerta.