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06/02/2015

Corecon quer economistas atuando em algumas áreas do setor de serviços

Diário do Comércio | Tatiana Lagôa

A presença de economistas no poder público e em grandes empresas, principalmente as do setor industrial, é algo corriqueiro no país. Mas a grande luta desses profissionais agora é para atuar em algumas áreas do setor de serviços, em expansão no país. A economia criativa, que engloba o lazer e a cultura, é um exemplo de área a ser desenvolvida. Para isso, dois movimentos estão sendo iniciados: pela mudança da formação acadêmica e pela regulamentação da profissão, com a inclusão de trabalhos a serem feitos exclusivamente por esses profissionais.

No Estado, esse movimento tende a se fortalecer neste ano por meio de um trabalho do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG). A busca de diálogo maior entre a economia e outras áreas do conhecimento será a principal aposta do mandato deste ano do presidente do conselho reeleito, Antônio de Pádua Ubirajara. Amanhã, o economista vai tomar posse do cargo que ocupará por mais um ano.

"Onde há necessidade de planejamento é preciso que haja a presença de um economista. E queremos promover esse debate no Estado para ampliar o trabalho para outras áreas ainda não exploradas", afirma. Uma das ações práticas para estimular essa atuação é a realização de seminários, aproveitando que agora em 2015 o conselho completa 50 anos. Dentre os temas abordados, Ubirajara adianta que estarão presentes: ciência política, história, direito, sociologia e psicologia. A intenção é que o debate extrapole as discursões no conselho e influencie as universidades, que devem abordar os temas de forma mais aprofundada.

Formação - Com uma formação mais ampla, os economistas estarão cada vez mais aptos a atuarem em diferentes áreas. Para Ubirajara um grande filão, que ainda está no campo do debate no país, é a formação de cidades criativas. A ideia é pensar no desenvolvimento de uma região levando em conta potencialidades para a cultura e o lazer. "São planejados e desenvolvidos projetos nesse sentido com retorno para o empreendedor, para a sociedade e para o poder público", afirma.


No caso de Minas Gerais, por exemplo, seria possível desenvolver o potencial turístico colaborando inclusive para a diversificação da economia. E esse é um trabalho que pode ser desenvolvido tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público, ou conjuntamente.

Além do estímulo da diversificação das áreas de atuação, o Corecon-MG vai acompanhar mais de perto a tramitação do projeto de lei (PL) que regulamenta a profissão de economista. O PL define quais as atividades privativas desses profissionais e quais podem ser exercidas por pessoas de outras áreas. "Nossa regulamentação é da década de 50. Nesse tempo a economia sofreu muitas modernizações no campo do capital e do trabalho. E a legislação não contempla as modernizações", afirma.

Como a PL deverá ser levada a plenário neste ano, o presidente do conselho pretende iniciar o contato político para garantir a aprovação. Essa seria uma outra medida que abriria mercado para os profissionais do ramo. Um exemplo prático da mudança é nos orçamentos públicos. Atualmente, profissionais de qualquer área podem ficar responsáveis por fazê-los. Após a alteração da lei, o processo terá que ser necessariamente acompanhado por economistas.