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23/02/2015

Brasileiros estão evitando fazer compras a prazo

Edição do Brasil | Andreza Cruz

Este ano será de muitas mudanças no que se diz respeito a comportamento do consumidor brasileiro. Devido aos reajustes, aumento de impostos e baixa produtividade, a população está tendo de se adequar para não cai no vermelho.

Segundo informações do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o número de consultas ao banco de dados desses órgãos, para vendas a prazo, registrou alta de 1,81% em janeiro de 2015, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No entanto, essa alta representa o menor crescimento para meses de janeiro de toda a série histórica do SPC Brasil.

Nos anos anteriores, as altas haviam sido de 5,07% (2014) e de 3,88% (2013). Já em relação a dezembro do ano passado as vendas a prazo caíram 28,85%.

De acordo com os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sobre endividamento, divulgada no início de janeiro, em 2014, o volume de famílias que tomaram empréstimos caiu em relação a 2013, de 62,5% para 61,9%.

Após encerrar o ano de 2014 com queda acumulada de 0,3% no volume de vendas a prazo, a expectativa dos lojistas é que o setor feche 2015 com leve expansão positiva de 0,5%, impulsionado, sobretudo, pela recuperação do movimento no segundo semestre deste ano.

Segundo a conselheira do Conselho Regional de Economia (Corecon-MG) Silvânia Araújo, nós estamos em um ano onde as expectativas são muito desfavoráveis. “O índice de confiança das pessoas está muito baixo, porque hoje elas temem tanto pelo poder de compra, através do aumento da inflação, como também a possibilidade de desemprego. A combinação desses fatores aliada ao endividamento, porque o consumidor já entra o ano com dívidas, também contribui para reduzir a capacidade das pessoas de contrair novas dívidas”, informa.

Silvânia explica que essa retração do consumo a prazo pode afetar drasticamente a economia nacional. “O crédito tem sido uma grande alavanca para as compras. O comércio tem se movimentado muito através do crédito de longo prazo. A partir do momento em que as pessoas passam a comprar menos, com certeza isso vai refletir no dinamismo da economia. O comércio, que vem garantindo o desempenho econômico, vai perder força, não há dúvidas. E as pessoas irão priorizar os produtos indispensáveis: as compras de casa, itens farmacêuticos, telefonia. Ou seja, a série de produtos que são mais essenciais a rotina de vida do consumidor, serão priorizados”.

A economista também revela que essa mudança no comportamento dos brasileiros vai afetar os valores finais do PIB. “Quando você enxerga o PIB na projeção do boletim Focus, a gente pode dizer que aqueles bons números que chegavam a dois dígitos estão cada vez mais distantes. Se o comércio hoje deve ter crescido em torno de 3%, no máximo 4% em 2014, com certeza ele dificilmente vai recuperar esse patamar. Acredito que o que nós vamos ter é um desaquecimento desgeneralizado em todos os componentes: automóvel, vestuário, etc. O desaquecimento deve ser hoje uma presença e administrar esse momento é o desafio para o empresário ao longo de 2015”, finaliza.