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21/02/2017

Coque sobe 66% e consumidor pode pagar essa conta

Queila Ariadne | O Tempo

O preço do coque verde de petróleo subiu 66% em seis meses. Se fosse gasolina ou etanol, ficaria mais fácil entender o impacto no bolso. Mas, mesmo muita gente imaginando que esse combustível não afeta a vida de ninguém, o estrago pode ser grande. Ele é o principal insumo para a fabricação de cal, que é usada na construção civil, no tratamento da água, na agricultura e, entre várias outras utilidades, na produção do aço, presente em praticamente quase tudo, do garfo até a estrutura de um prédio. “A indústria de cal está trabalhando no limite, mas ainda não repassamos o preço para nossos compradores porque a economia está toda abatida. Se isso acontecer, vai ser um efeito em cascata porque tudo vai subir também”, explica o presidente do Sindicato da Indústria de Cal e Gesso (Sindicalge-MG), Edvaldo Almada.

Ele explica que, de setembro do ano passado para fevereiro de 2017, o quilo do coque subiu de R$ 35,57 para R$ 59,08. “O coque verde de petróleo responde por 40% a 50% do custo de produção da cal. Para cada tonelada de cal produzida, usamos entre 80 kg e 110 kg de coque, que é fornecido pela Petrobras – que tem o monopólio da produção desse combustível. Em novembro, pedimos um encontro com o presidente da Petrobras para explicar os impactos desse reajuste tão alto. Mas foi delegado a um diretor, depois a um superintendente, e até hoje não fomos chamados para uma explicação”, diz.

Por meio da assessoria de imprensa, a Petrobras informa que não comenta sua política de preços. Fontes ligadas ao setor atribuem o reajuste à recomposição de preços, com adaptação à demanda e à oferta. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP), desde setembro de 2016 a produção mensal se manteve estável, oscilando entre 2,2 milhões de m³ e 2,8 milhões de m³. A anual também está estável em relação a 2016, na faixa de 31 milhões de m³.

Se os consumidores finais podem pagar parte desta conta, por meio de um efeito dominó nos repasses de aumentos por parte de quem consome a cal, a indústria também teme. “Estamos trabalhando sem nenhuma margem de lucro e sem nenhuma perspectiva de investimento em tecnologia”, afirma Almada.

Cada tonelada de cal é vendida em média por R$ 200. Almada estima que se o aumento de custos fosse totalmente repassado, o preço subiria para R$ 240, uma elevação de 20%. “Nesse contexto econômico, é inviável repassar”, ressalta.

O que é coque verde. É um derivado de petróleo: a parte sólida extraída no processo de produção de combustíveis como gasolina. É misturado ao calcário para a produção de cal. Responde por até metade do custo.


EVOLUÇÃO

Preço por tonelada de coque:

Setembro de 2016: R$ 355,70
Outubro de 2016: R$ 400,19
Novembro de 2016: R$ 499,27
Dezembro de 2016: R$ 546,62
Janeiro de 2017: R$ 583,59
Fevereiro de 2017: R$ 590,85

Cada tonelada de cal: precisa de 80 kg a 110 kg de coque