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07/12/2017

Nota de repúdio do Corecon-MG à condução da Operação realizada pela Polícia Federal hoje na UFMG

Nota de repúdio do Corecon-MG à condução da Operação realizada pela Polícia Federal hoje na UFMG

O Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (CORECON-MG) repudia essa estratégia utilizada pelas forças repressivas de detonarem reputações e depois apurarem os fatos. Nada justifica a forma como essa operação da Polícia Federal se deu hoje aqui em Belo Horizonte. Não existe nenhuma razão, minimamente plausível, para o ocorrido. Estas estratégias já banalizaram de forma midiática as rotineiras conduções coercitivas. Não podemos aceitar que o país seja tomado por ações autoritárias, que representem a volta do estado de exceção e ameaça direta à democracia e aos direitos constitucionais, tão duramente conquistados.

A maneira como está sendo realizada a operação "Esperança Equilibrista" tem sido alvo de protestos ao longo do dia em todo o Brasil. O nome escolhido é uma clara provocação aos setores que defendem os direitos humanos, já que faz alusão à música "O Bêbado e o Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc, famosa por ser entoada por manifestantes contra o torpe golpe militar de 1964.

O projeto do Memorial da Anistia, que é alvo da operação foi lançado há quase dez anos, numa parceria entre o Ministério da Justiça e a UFMG. Colocá-lo no foco deste ataque mostra claramente onde a ideologia golpista pretende chegar com suas arbitrariedades. A construção do memorial foi aprovada em 2009, portanto é anterior à atual administração da universidade. Vale ressaltar que todas as contas da UFMG foram aprovadas em anos anteriores.

O Conselho Regional de Economia, como entidade que defende a ampla democracia, considera o fato ocorrido hoje como de gravidade extrema e marcante quanto à necessidade de uma inflexão neste processo de descenso democrático. Defende uma transparente e total apuração dos fatos, mas repudia a maneira como a Polícia Federal atuou. Afinal, roteiros midiáticos como os que hoje aconteceram em nossa capital, remetem à triste e recente lembrança de um fato absolutamente similar ocorrido na UFSC, que culminou com a morte do Reitor Luiz Carlos Cancelier. Ao que parece, este doloroso acontecimento na UFSC, não foi suficiente para aplacar a ira de grupos que usam de seus poderes constituídos para atacar os símbolos dos direitos humanos, na tentativa de golpear a democracia.

Paulo Roberto Paixão Bretas, Presidente do Conselho Regional de Economia