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05/02/2018

Jornal da PUC Minas publica reportagem sobre Congresso Brasileiro de Economia

 Crise econômica deixa brasileiros preocupados

Durante Congresso, especialistas apontaram alternativas em termos de políticas econômicas

Por Silvio Prado Gabriel Chaves, Kaik Ribas e Natália Alves 
Estudante do 5º período de Jornalismo Puc-Minas

A atual situação econômica preocupa os brasileiros que dependem do seu trabalho para garantir seu sustento. A situação é tecnicamente de estagnação. Também os empresários estão apreensivos com os rumos que a economia vem tomando. Muitos têm adiado investimentos e novos empreendedores aguardam outro momento para iniciar projetos. Esses problemas foram o nucleo de atenção do 22º Congresso Brasileiro de Economia, em Belo Horizonte, durante o qual especialistas tentaram apontar soluções. Um tema tratado foi “Desafios e possibilidades para o desenvolvimento da economia brasileira”.

Segundo o professor Carlos Pinkusfeld, da Universidade Federal do Riode Janeiro (UFRJ), o fator principal que deu início à crise econômica foi a forte queda do consumo, a partir de 2011 e 2012, chegando a mais de 60%. “A desaceleração da economia ocorreu porque a taxa de consumo doméstico privado começou a crescer e o desempenho do consumo a crédito começou a desacelerar por dois motivos, dentre eles: a queda do número de empregos; e a não recuperação do salário, pois quanto maior a renda da família, mais elas pegam crédito”. Para ele, a queda se estendeu aos outros setores, tanto em nível de investimentos, quanto de importação e exportação.

O setor que mais sofreu foi o automobilístico, chegando a uma redução de 26,5% em 2015. Para o professor Gustavo Britto, da UFMG, é preciso que o País faça uma mudança estrutural de redistribuição de renda, a partir do gasto social, e avance em infraestrutura. Segundo ele, as políticas em nível de pobreza só têm ganhos econômicos e sociais, não há perdas se o país adotar essa mudança Questões econômicas secundárias começam a aparecer, como infraestrutura em transporte, saúde, educação, e merecem atenção. Exibição de músicas dos Beatles dá tom cultural ao evento Luana Isabelly Vanessa Bedran 5º período Ao som de músicas do repertório dos Beatles, os participantes do Congresso de Economia, no Minascentro, foram brindados com a apresentação do quinteto Rockin’strings, numa combinação de instrumentos de música clássica e popular. A abertura oficial foi marcada por homenagens a renomados economistas, como à professora Maria da Conceição Tavares, além de premiações por destaques econômicos. Em sua palestra, o economista argentino Roberto Frenkel abordou a relação do câmbio real com a inflação e os salários. O Congresso foi promovido pelos Conselhos Federal e Regional de Economia, com o tema escolhido “Desenvolvimento Econômico, Justiça Social e Democracia: Bases para um Brasil Contemporâneo”.

Reflexões

A professora Maria da Conceição Tavares foi lembrada por seu compromisso com a solidariedade e história do país. Economista de grande destaque, atualmente com 87 anos, ela é professora doutora da Unicamp, ex-deputada federal e autora de diversos artigos e livros sobre desenvolvimento econômico. Também foi chefe do escritório da Comissão Econômica para a Amé- rica Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil.

O professor Clélio Campolina, ex-aluno da professora e ex-reitor da UFMG, a representou. A abertura contou com a presença do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do vice-prefeito Paulo Lamac, dos presidentes do Cofecon, Júlio Miragaya, e Corecon-MG, Paulo Roberto Bretas. Bretas iniciou a solenidade com perguntas, levando a plateia à reflexão. “Que país teremos daqui a 20 ou 30 anos? Este é um Congresso de muitas perguntas e respostas complexas”, disse o presidente da Cofecon. Ele citou problemas que seriam discutidos ao longo do evento: desigualdade social, endividamento público e déficit fiscal, baixa produtividade das empresas e péssima qualificação dos trabalhadores e, por fim, o comportamento pouco competitivo das empresas brasileiras. “Os economistas têm conhecimento dos problemas e devem partir para resolvê -los”, disse Bretas.

O governador e economista, Fernando Pimentel, falou sobre a importância dessa profissão, destacando que a tarefa dos economistas é buscar o desenvolvimento econômico e social de forma sustentável, sem sacrificar o patrimônio público, que é de todos. Outros economistas foram destaques econô- micos, como Paulo Sérgio Fracalanza (modalidade aspecto acadêmico e científico, representando a Unicamp) João Borges (modalidade mídia), representando a Globo News, e Cláudio Dutra Crespo (desempenho técnico), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Antônio Correia de Lacerda recebeu o prêmio personalidade econômica 2016 do Cofecon. Para Lacerda, o evento acontece em um momento relevante para o país, por estar passando pela sua maior crise: “Precisamos realizar mudanças profundas na política econômica para que o país possa voltar a crescer”. Acrescentou: “O Estado tem que investir mais. A única saída para a crise é o crescimento sustentável”.



Jornalistas explicam papel da mídia na atual conjuntura

Os jornalistas João Borges, do portal G1 e da Globo News, e Luís Nassif, do site Jornal GGN, foram protagonistas de uma acalorada discussão no debate: “A economia brasileira sob a perspectiva do jornalismo econômico”, mediado pelo jornalista João Carlos Penna. O papel do jornalismo econômico diante do cená- rio brasileiro foi o tema que envolveu o embate, que contou também com participação da plateia e dos convidados Cláudio Roberto Conceição, da revista Conjuntura Econômica, e Fernando Brito, do blog Tijolaço. Borges perguntou a Nassif o que ele faria com a taxa de juros e o câmbio se fosse presidente do Banco Central.

O blogueiro do GGN disse que não poderia dar a resposta que Borges queria, por entender que taxa de juros e câmbio não deveriam estar no centro da política econômica. Para Nassif, o jornalismo tem falhado no seu papel de traduzir a economia para os leitores: “Você pode ter as teorias mais estapafúrdias, mais completas ou mais sofisticadas, mas tem que ver como a pessoa na outra ponta recebe aquela teoria, o empresário, o consumidor. O jornalismo tem uma capacidade única de fazer esse meio de campo da crítica, pois se ouve o economista, tenta entender a lógica, o poder. O nosso papel é fazer essa checagem na base”.

Borges refutou o pessimismo do colega, dizendo que os veículos têm se preocupado em mostrar a crise para a população e se esforçado para isso, mas reconhece que pode haver melhorias. “Há necessidade de ampliar o debate. Um jornalista, às vezes, precisa fazer duas matérias no dia, são muitas limitações”. Ponderou que, se para um economista há dificuldades em tratar a relação de causa e efeito, para o jornalista o desafio é maior.

Nassif explicou que, para uma análise consistente, é preciso entender a política interna, os jogos de interesse, os impactos sobre cada setor e a questão institucional: “Teoricamente, nós somos os agentes do bem-estar público, fiscalizamos o futuro do país, então, quando você vai julgar uma política você tem que ter em mente qual é a estrutura do país, como aquela polí- tica afeta todos os setores”. Fernando Brito, do Tijolaço, compartilhou o pessimismo no cenário brasileiro e afirmou que que, no jornalismo, falta abertura para discussão de ideias. 

*Esta reportagem foi publicada no Jornal Marco, da Puc Minas, em outubro de 2017. A reportagens foi produzida por Silvio Prado Gabriel Chaves, Kaik Ribas e Natália Alves, estudantes do 5º período, na disciplina de Jornalismo Econômico